ENSINANDO NUM CRUZEIRO
continuando - Parte III


Teria que modificar meus planos de ensino pois a tentativa de ensinar dando aula não tinha dado certo.
A próxima tentativa seria de mostrar na prática alguns métodos de navegação durante o desenvolvimento do cruzeiro.
A partida estava marcada para o dia seguinte................
Após ter curtido o céu, não esperei o regresso da tripulação e fui dormir.
Como tinha sido o último a embarcar, sobrou a cama de cima do beliche da proa, esta cama já tinha uma proteção contra quedas . Era como uma caixão que para me deitar tinha que forçar um encaixe, acho que o projetista idealizou esta cama para sua mamãe.
Depois de varias tentativas de me deitar, utilizei o método que seria utilizado no decorrer da viagem. Entrar de lado e permanecer de lado, bom mas também não tinha espaço para se virar.
Apesar dos contratempos me relaxei e tive uma noite muito agradável.
Deixei o problema de levantar para o dia seguinte
Acordei com o toque de um sino, ainda bem que o Gerard não usou o canhãozinho, anunciando o desjejum.
Ai me deparei que estava encaixado, olhei para o beliche debaixo e o meu amigo cinegrafista, o Nenê, que foi acordado também, me perguntou como eu tinha entrado naquela cama ( me gozando logicamente). A verdade é que peso 89 kilos e o Nenê 58. Para ele aquele beliche era como uma cama de casal
O Nenê estudou a situação e me sugeriu o método de escorregar para baixo e assim obtive sucesso na escapada da cama .
Levantamos nos revezamos no banheiro de proa e fomos para o salão de popa. Todos estavam lá na maior alegria tomando o café da manhã. .Reparei que o gato não se encontrava no recinto, e imaginei que seria muita sorte se o gato tivesse resolvido desembarcar depois da aula que participou.
Parecia que o dia ia ser ótimo
Após longos papos resolvemos levantar ancoras, isto é soltar as amarras e realizar um sonho, como diz o Amyr.
Sai para dar uma olhada e o céu estava encoberto com indício de mal tempo.
Fiquei preocupado , pois podia ser uma frente entrando.
Fui até o computador de bordo e dei uma olhada na foto do satélite.

(www.weather.com)

Ela mostrava que de fato já tinha entrado uma frente fria (nuvens de cor roxa) e que iria perdurar por alguns dias, mas nada para se ter medo.

Tudo Pronto para partir. Tanques completos, alimentação com excesso e a tripulação ................... Faltava o Gato e a namorada do Nenê.
Houve um problema de comando e a namorada do Nenê desistiu da peleja.
O menino Begê estava a aponto de começar a chorar , quando aparece no cais o Chico (gato) com sua namorada. O malandro trouxe a bordo sua parceira. Como será o "miado"(conversa) de um gato induzindo a gata a seguir viagem com ele? O Bege explodiu de alegria , agora serão dois felinos a bordo, ele gritou..
Note que de certa forma o bichano foi mais eficaz que o Nenê. No resultado final perdemos uma tripulante mas ganhamos uma gata. A média permaneceu inalterada.
O veleiro se desvencilhou dos lançantes e espringues(?) e tomou rumo para o centro do Canal, como todo dono de barco ele que estava no timão.
O veleiro deslizava suavemente pelo canal e a tripulação se agitava em levantar as velas. O vento não tinha ainda se manifestado.
Chegamos na boca do Canal e como já havíamos nos preparado(parte-1) utilizaríamos a pedra do corvo como marco de partida.
A primeira perna seria a Ilha Montão de Trigo.
O trabalho feito na carta náutica com projeção Mercator para se determinar o rumo da Bússola, é bem simples:

Ligamos o ponto de partida ( Farol da Pedra do Corvo) com o ponto de chegada, a Ilha Montão de Trigo.

Esta reta é chamado de Derrota ou Perna.

Com uma régua paralela ou a que tem no desenho a roll-graf , levo a reta até a rosa dos ventos, que nada mais é que uma circunferência com os ângulos graduados em volta, como um transferidor.

Só que o zero da Rosa dos ventos indica a direção Norte, 90º indica a direção Leste ( e não Este), 180º indica a direção Sul e 270º a direção Oeste.

Como se o centro da Rosa fosse o nosso ponto de partida traço a reta paralela da derrota e leio o Rumo.

Este Rumo é chamado de Rumo verdadeiro (não é ainda o Rumo da Bússola)

Na nossa derrota o Rv = 90º


Para que não nos estendamos muito, noto que a bússola não aponta para o norte verdadeiro e sim para outra direção que é chamada de Norte Magnético.

O ângulo que é formado entre os dois Nortes é chamado de Declinação Magnética.

Vamos chamar de Rumo Magnético o rumo dado pela bússola.


  Como temos que seguir o Rumo verdadeiro tirado da carta náutica, temos que converte-lo para o Rumo Magnético pois é pela bússola que teremos que navegar.

Como obter a declinação local?

Se olharmos com detalhes para a Rosa dos Ventos, vamos observar que no meio dela tem uma especificação abreviada da Declinação Magnética.( Dec. mag.).É ai que está a declinação magnética local a ser utilizada por nós.

Note que é a declinação dada em 1990 é 19º 45 W e tem um aumento anual de 8´.

Como já se passaram 11 anos, pois estamos em 2001, temos que multiplicar 11 por 8, que nos dá 88´ = 1º 28´.

Adicionamos este valor ao de 1990 e obtemos a declinação local de 20º 78´, que é 21º 18´ ~ 21ºW


Bom está ficando longa a explicação, continuação na coluna parte-4.......