ENSINANDO NUM CRUZEIRO
continuando - Parte VI

A tripulação estava pronta para partir.
O vento vinha de Sudeste, seria exatamente na nossa proa, pois o objetivo era a Ilha de Alcatrazes.
Tínhamos como regra básica só utilizar o motor em caso de perigo, pois a finalidade era que a tripulação se ambientasse a velejar.

Observando o céu notei que ele se apresentava com a formação de nuvens Cirrus.
Esse tipo de nuvem é indício da chegada de uma frente, veja fig. 2, mas ainda ia levar um certo tempo.

Convoquei a tripulação para que determinássemos uma tática.
Na mesa estava eu, Gerard e o Nene.
Com vento na proa teríamos que adotar uma estratégia de dar vários bordos.

O nosso veleiro tinha dois mastros e sua orça (aproximar a proa da linha do vento) era no máximo de 45 graus.

Tínhamos então determinado uma estratégia que foi registrada na carta náutica

Tudo parecia ir andando muito bem.
Já rondava 1200 horas e resolvemos almoçar logo após zarpar.
O almoço estava excelente, foi servido pato a tucupi.
Não se espantem pois o Gerard tinha comprado uma carga de comidas congeladas de um hotel, de tal variedade, que incluía até sopa de alface.(sopa de alface!!!!!!!!!!!).

Após o almoço demos uma relaxada e começamos a nos preparar para a partida. Era em torno de 15:00.

Levantamos as duas velas mestras facilmente pois estávamos na sombra da ilha.
O vento rondava bem fraco.
Levantamos a ancora e o comandante resolveu não ligar o motor.
Eu o Gerard e o Nene estávamos no convés

Estávamos velejando lentamente quando uma rajada muito forte nos pegou.
O vento sente a encosta mais fria e tende a descer imprimindo uma grande velocidade, esse é o vento CATABÁTICO.

O veleiro adernou violentamente, gritei para que soltassem as escotas das mestras, mas não deu tempo. Por sorte a rajada foi de poucos segundos, e o veleiro voltou a posição adriçada.
Nesse momento havia uma gritaria lá dentro, ainda não sabíamos mas tinha começado

"A MALDIÇÃO DA ILHA".

Deixamos as escotas da mestra folgadas e corremos para dentro.

A cozinheira estava deitada gemendo, quase desfalecida.
Ela esquentou um porção de água para colocar na garrafa térmica, mas quando estava enchendo a garrafa o barco adernou e toda água fervendo caiu em cima dela.
Seus volumosos seios estavam em bolhas.
Gerard esqueceu de colocar na caixa de primeiros socorros, remédio para queimadura, situação injustificável.
Por sorte estávamos perto da costa, imagine se estivéssemos em alto mar à muitas milhas da Terra.

Imediatamente colocamos na água o bote, embarcamos a cozinheira e o Gerard e Benê a levaram para terra.
Acabávamos de perder a cozinheira.


QUEIMADURA DE SEGUNDO GRAU
Formação de bolhas.


Obs. Como agir ?
1- deite a vítima
2- Coloque a cabeça e o tórax da vítima mais baixos que o restante do corpo.
3- Se a vítima estiver consciente, faça-a beber muito líquido: água , suco de frutas..
4- Nunca use bebidas alcoólicas
5- Pincele a queimadura com um pomada para amainar a dor
6- Nunca arrebente ou fure as bolhas da queimadura.
7- Cubra o local da queimadura com pano limpo.
Encaminhe para o médico.

Já era noite quando ouvimos o barulho do motor de popa do bote.
Todos estavam apreensivos, mas as notícias não eram ótimas mas eram boas.
A cozinheira tinha sido medicada , mas tinha ficado em terra como prevíamos.
Na reunião a Bene disse que assumiria a cozinha. Será que aquela dondoca saberia cozinhar.

Mais um dia tinha passado e ainda estávamos na Ilha Montão de Trigo.