ENSINANDO NUM CRUZEIRO
continuando - Parte VIII
De novo estávamos na Ilha Montão.

Avaliamos o acontecido e resolvemos esperar que o vento mudasse de direção.
Fizemos uma reunião com todos os membros do barco: Gerard, Bene, Nene, eu, menino Bege, o gato Chico e a Maria cozinheira (notamos o desaparecimento da namorada do Chico, que deve ter caído no mar).

Como dizem os militares, a moral estava baixa.
Para que a tensão fosse aliviada, já que a espera estava definida, perguntei ao pessoal se alguém sabia como que o vento poderia mudar de direção.

O Gerard muito sabido, insinuou que deveria ser a mudança de pressão atmosférica, mas não definiu o processo que mencionou.
Nenê simplesmente achou que era devido ao movimento da Terra.
Bene pensou, mas não quis arriscar.
Bege falou rispidamente que isso não interessava a ele e que queria sair da reunião. Ele pegou o Chico e subiu para brincar.

Como estávamos num barco democrático, a Maria teve a oportunidade de também dar um palpite. Ela falou que deveria ser devido a frente fria que vinha subindo.
Todos ficaram paralisados com a resposta da Maria.
Gerard perguntou onde ela tinha aprendido o que estava dizendo e ela respondeu que sempre assistia o jornal na TV Globo e que tudo que acontecia no tempo era devido a uma tal de frente fria.

Todas as informações do tempo que são transmitidas pela mídia são passadas sem entendimento do que realmente significam.
O público só se interessa se vai chover ou vai fazer frio.

Propus uma apresentação rápida do processo de mudança de direção do vento. Como tínhamos mesmo que esperar a mudança do tempo, a minha palestra foi permitida.

.Acho que a compreensão geral da formação dos ventos é muito importante para a bagagem dos conhecimentos de um navegador.


O vento, que é o deslocamento de uma massa de ar, ocorre quando duas massas de ar de densidades diferentes (pressões diferentes) se interagem.

Aparece um fluxo de ar da região da maior pressão para a região de menor pressão até estabilizar as pressões entre essas regiões.


A força que leva o ar de uma alta para uma baixa pressão é chamada força de gradiente de pressão.
Esse é o processo inicial de formação dos ventos.

Quando o vento começa a tomar velocidade aparece a interferência da rotação da Terra

Se a Terra não girasse, o ar sopraria diretamente da alta para a baixa pressão.

Isso realmente ocorre no movimento do ar em pequena escala, mas quando ele se move sobre uma grande distância é desviado devido a rotação da Terra sobre seu eixo.
Note pelo desenho, que a velocidade na superfície da Terra varia conforme a latitude.

No Equador, ela é extremamente alta e vai diminuindo conforme se aproxima dos pólos.

Esse fato faz com que qualquer massa de ar movendo-se livremente (vento) seja desviada quando se desloca sobre a superficie.

Este desvio acontece em relação ao solo.

A Terra sai de baixo e o vento continua seu trajeto.(veja sequência das figuras).
Como estamos na superfície da Terra e não percebemos que estamos em rotação, esse efeito é observado como se o vento fizesse uma curva.
A rotação da Terra (origem da força de Coriolis) e a mudança na direção do vento com a latitude (de Leste nos trópicos e de Oeste em latitudes médias) causam a circulação dos oceanos. Essa circulação acontece no sentido horário no hemisfério norte e anti-horário no hemisfério sul.




Numa carta geral dos oceanos vamos observar que as correntes oceânicas também obedecem essa propriedade. Responsabilizamos a esse efeito o aparecimento de uma força que chamaremos de Coriolis. Portanto, a “força de Coriolis” é somente uma força aparente, mas o desvio, é um desvio real.